PORTFÓLIO – VARIEDADES LINGUÍSTICAS – C9

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Kelly Consuêlo

Emanoel Paulo

Érica Rodrigues

Joselma Silva

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INTRODUÇÃO:

Linguagem é o uso das diferentes formas de expressão (oral, escrita, gestual, corporal, artística, etc.) e de comunicação entre as pessoas. A nossa língua não é somente um conjunto de palavras faladas ou escritas, mas também dos gestos e imagens, ela acontece através do uso de recursos ou sinais que propiciam a comunicação, dividindo-se em:
- Verbal/oral – aquela que usa as palavras como sinais para a comunicação.
- Não verbal/ escrita – aquela que usa outros sinais para os atos de comunicação. A escrita é linguagem verbal.

Da mesma forma que a humanidade evolui e se modifica com o passar do tempo, a língua acompanha essa evolução e varia de acordo com os diversos contatos entre os seres pertencentes à comunidade universal, assim, é considerado um objeto histórico, sujeito a transformações, que ocorrem ao longo do tempo, que se modifica no tempo e se diversifica no espaço.

Linguagem, cultura e sociedade estão ligadas entre si por laços indissolúveis. Todos nos temos uma linguagem, fazemos parte de uma sociedade e temos uma cultura que é a marca da história das nossas vidas. Ninguém pode negar essa indissolubilidade que há entre a linguagem e a sociedade, ou melhor, ainda não há como negarmos essa relação profunda.

Com base em tudo o que falamos, podemos perceber que nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), quanto na música de Xangai “Ai D’eu Sodade” e no poema de Drummond, “Aula de Português”, existem exemplos de variedades lingüísticas, o que mostra que as línguas não são uniformes, elas possuem variantes. Isto ocorre em virtude de fatos sócios, políticos, econômicos, culturais, etc. Nessa ótica, podemos destacar algumas expressões na música de Xangai:

Ai D’eu Sodade

Xangai

Xangai

Marido se alevanta e vai armá um mundé
prá pegá u’a paca gorda
prá nós cumê um sarapaté
Aruera é pau pesado, nué minha véa
cai e machuca meu pé
e ai d’eu sodade

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Podemos observar nestas expressões que a linguagem típica caipira usada na música, transmite um sentido significativo no contexto em que elas ocorrem, basta olharmos a situação em questão pelo ângulo da diversidade lingüística. É importante entender que mesmo existindo diferentes variações em uma língua, estas não são suficientes para afirmar que uma variação é mais correta do que a outra, uma vez que a adequação da linguagem vai depender do contexto onde ela acontece, levando em consideração também os falantes que fazem uso da linguagem e de suas variações.

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Sobre esta questão, Bagno (1997), mostrar que o uso de uma linguagem “diferente”, nem sempre pode ser considerado um “erro de português”. Esse modo diferente das pessoas falarem pode ser explicado por algumas ciências como a sociolingüística, a História, a Sociologia e até mesmo a Psicologia.
A sociolingüística é ciência que busca encontrar respostas para entender a relação entre linguagem e sociedade, haja vista que esses elementos estão intimamente ligados, pois em todos os momentos de sua história o homem sempre utilizou uma forma de comunicação: nos primórdios a comunicação oral e em seguida, a escrita. Essas duas modalidades fazem parte de um sistema lingüístico de uma comunicação lingüística, o qual permite ao ser humano estabelecer contato com o outro, interagindo entre si.

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DESENVOLVIMENTO:

A escola trata muitas vezes, a linguagem como um conjunto de regras e exceções e dá à língua padrão primazia sobre as variedades lingüísticas de seus educandos. É principalmente neste ponto que a escola torna-se excludente, pois a grande parte de seus alunos não tem acesso à variedade considerada padrão. Consequentemente, a escola que deveria ser um espaço de interação social, onde todos tenham acesso à informação e ao conhecimento, privilegia as classes dominantes, contribuindo para a exclusão social.

A variedade linguística do aluno deve ser valorizada e respeitada, jamais excluída e considerada inferior. Ao professor compete mostrar que há uma variedade linguística de maior prestígio social, que também deve ser estudada para que o educando possa participar ativa e criticamente nas relações sociais, mas deve deixar claro que esta variedade não deve substituir a variedade que cada um traz consigo.

Segundo Labov (1983), a variação existe em todas as línguas naturais humanas, é inerente ao sistema lingüístico, ocorre na fala de uma comunidade e, inclusive, na fala de uma mesma pessoa. Isto significa que a variação sempre existiu e sempre existirá independente de qualquer ação normativa. Assim, quando falamos em Língua Portuguesa estamos falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades

O papel da escola é proporcionar diversos conhecimentos e aprendizagens, visando propiciar um ensino de qualidade a todos, respeitando os conhecimentos que cada um traz consigo considerados como, conhecimentos prévios, e valorizar esses conhecimentos. Valorizar somente a língua padrão faz com que a sala de aula deixe de ser um espaço de comunicação e interação, onde todos expressam seus conhecimentos, e passa a ser um cenário de correção e repressão, uma vez que os alunos usam o português coloquial. A linguagem não deve ser substituída e sim adequada.

Segundo Bagno (2001, p.36) “menosprezar, rebaixar, ridicularizar a língua ou a variedade da língua empregada por um ser humano equivale a menosprezá-lo, rebaixá-lo enquanto ser humano”. Quem mais sofre com isso são aqueles que provêm das classes menos favorecidas economicamente, são eles que sentem na pele a ridicularização, sentem-se estranhos em sua própria língua, cheio de dúvidas e incertezas, distantes na norma considerada correta. Por isso, a maioria dos estudantes chega ao final do Ensino Médio sem conseguir transferir suas idéias para um texto escrito, e isso perpassa a uma grande preocupação em empregar regras gramaticais, em “escrever certo”, que o pensamento não consegue concretizar-se no papel.

todas-as-criancas-do-brasil01Mas, no Brasil, o preconceito lingüístico é tão disseminado e está tão interiorizado nas pessoas, que ouvimos a todo instante expressões como: “eu não entendo português” ou “eu não sei falar certo”. Quando a escola dá ênfase ao ensino centrado na gramática, reforça o preconceito e a idéia de que o português é uma língua muito difícil, que apenas alguns são capazes de compreendê-la e utilizá-la corretamente. É a ideologia dominante se saindo vitoriosa, fazendo pensar que uns são superiores e outros são inferiores.

No Brasil, nos últimos tempos, a variação linguística na escola tem sido objeto de complexos debates lingüístico-pedagógicos, ensejando profunda insegurança sobretudo entre os professores e futuros professores que atuam em escolas populares.

Os “escorregões” de Luiz Inacio Lula da Silva (Lula) no exercício do português padrão – seus “menas”, “percas”, “acho de que”; a avidez com que “devora os ‘s’ do plural” etc. – constituem um pretexto para se debater a variedade lingüística com a qual a escola deveria operar.

As expressões contidas no discurso de Lula, assim como as expressões contidas no texto III, da atividade orientada, “Ai D’eu Sodade” nos mostram que apesar de vista por muitos como preconceitos por estarem de certa forma erradas, para as regras ditas gramáticas normativas, têm que ser respeitadas e aceitas, pois conseguem fazer-se entender, passam uma mensagem para quem as lê, e se revelam expressões de um grupo característico. Bagno (1999) cita em seu livro, Preconceitos Linguísticos, “Quando deixa de entender, ela, inevitavelmente sofrerá transformações para se adequar as novas necessidades.” Afirmando que toda variedade lingüística atende às necessidades da comunidade dos seres humanos que a empregam.

Há alguns anos, para a grande maioria dos professores de português, essa questão não existia, predominando a visão de que a principal função da escola era enquadrar os alunos à variedade culta da língua nacional.
Nosso país será cada vez mais elitista, se as instituições de ensino e a própria população “culta”, não admitir a existência de milhares e milhares de línguas portuguesas.

Os PCN de língua portuguesa, assim como o tema transversal, pluralidade cultural, reconhecem a existência de variantes lingüísticas, que devem ser respeitadas, pois não há um modo certo ou um modo errado de falar. Há o reconhecimento da língua como veículo de transmissão de cultura, de valores, de preconceitos. Segundo os documentos do MEC, saber falar ou escrever bem é falar ou escrever adequadamente, sabendo qual variedade usar, empregando um determinado estilo, esperando determinadas reações. Encontramos nos PCN (1997 p.31-32)

“A questão não é falar certo ou errado, mas saber qual forma de fala utilizar, considerando as características do contexto de comunicação, ou seja, saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. (…) A questão não é de correção da forma, mas de sua adequação às circunstâncias de uso, ou seja, de utilização eficaz da linguagem: falar bem é falar adequadamente, é produzir o efeito pretendido”. O que, porém, não está explícito é que esse “falar adequado”, essa “utilização eficaz” está ligada/o, na verdade, a um esquema coercitivo, imposto pelo uso burocrático da linguagem.”

O ensino da língua culta na escola, não deve ter a finalidade de condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa família ou em nossa comunidade. Ao contrario, o domínio da língua culta, somado ao domínio de outras variedades lingüísticas, torna-nos mais preparados para nos comunicarmos. Saber usar bem a língua equivale, a saber, empregá-la de modo adequado as mais diferentes situações sociais que praticamos

Segundo Labov (1983), a variação existe em todas as línguas naturais humanas, é inerente ao sistema lingüístico, ocorre na fala de uma comunidade e, inclusive, na fala de uma mesma pessoa. Isto significa que a variação sempre existiu e sempre existirá independente de qualquer ação normativa. Assim, quando falamos em Língua Portuguesa estamos falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. E mesmo havendo no Brasil uma aparente unidade lingüística e apenas uma língua nacional, é possível observar variação em diversos níveis da estrutura lingüística como ilustram o exemplo a seguir:

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“A língua não é usada de modo homogêneo por todos os seus falantes. O uso de uma língua varia de época para época, de região para região, de classe social para classe social, e assim por diante. Nem individualmente podemos afirmar que o uso seja uniforme. Dependendo da situação, uma mesma pessoa pode usar diferentes variedades de uma só forma da língua. Para Marcos Bagno (2002, p.16)”

Embora a língua falada pela grande maioria da população seja o português, esse português apresenta um alto grau de diversidade e de variabilidade, não só por causa da grande extensão territorial do país — que gera as diferenças regionais, bastante conhecidas e também vítimas, algumas delas, de muito preconceito –, mas principalmente por causa da trágica injustiça social que faz do Brasil o segundo país com a pior distribuição de renda em todo o mundo. São essas graves diferenças de status social que explicam a existência, em nosso país, de um verdadeiro abismo lingüístico entre os falantes das variedades não-padrão do português brasileiro — que são a maioria da nossa população — e os falantes da (suposta) variedade culta, em geral mal definida, que é a língua ensinada na escola.

A escola precisa entender que o aluno chega lá falando o português de sua comunidade, que geralmente é uma variedade não-padrão, e que seu papel é acrescentar – e não substituir — a norma culta da língua ao aprendizado da criança. Infelizmente somos um país em que boa parte da população não tem acesso à educação. Essa privação faz com que muitas pessoas não consigam usufruir de todos seus direitos, exatamente pelo fato de não conhecerem o português padrão.

Por outro lado, não devemos esquecer que algumas variedades lingüísticas são fortemente descriminadas, isto é, tratada de modo preconceituoso e anticientífico. Não porque essas variedades sejam inferiores ou porque sejam menos elaboradas do ponto de vista linguístico, mas simplesmente porque difere em alguns aspectos (quase sempre relacionados à forma), daqueles que os gramáticos tradicionais elegeram como sendo o “correto”. Para trabalhar a variação linguística, o professor deve introduzir, ao mesmo tempo, por um lado, o respeito e a aceitação aos vários falares dos alunos, e por outro, uma prática de ensino e aprendizagem cujo objeto de estudo seja os próprios textos dos alunos (orais e escritos). O que também não significa o abandono ao ensino da língua culta, pois esta continua sendo a variante de prestígio, portanto é importante que também seja trabalhada em sala de aula. Para Santos e Cavalcante (2000),

Para trabalhar a variação lingüística em sala de aula seriam interessantes que fossem realizadas atividades enfatizando a diferença entre textos produzidos oralmente e textos escritos, trabalhando o máximo possível os próprios textos dos alunos, e chamando a atenção para a possibilidade de sempre poder realizar a retextualização, podendo melhorar vários aspectos do texto, inclusive mudando de gênero.

Portanto, o objetivo principal do ensino e aprendizagem da língua portuguesa é considerar a leitura, escrita e oralidade, como práticas sociais e base para reflexão proporcionando assim, uma estreita relação com a cultura, com os conhecimentos prévios “letramento” e a diversidade cultural e linguística de um povo.

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CONCLUSÃO:

Depois de realizado este trabalho, ficou claro que todas as variações servem igualmente para a comunicação entre falantes de comunidades de fala. Nesse sentido, a análise linguística desempenha papel fundamental no processo de interação fala/sociedade.

Assim, a possibilidade de se poder estabelecer uma sistematização ao processo de variação linguística, torna possível a compreensão das potencialidades da gramática oral dominada pelo falante, desde a aquisição da linguagem até o uso permanente de tais variantes. É importante que o indivíduo ao aprender novas formas lingüísticas, particularmente a escrita e o padrão de oralidade mais formal orientado pela tradição gramatical, entenda que todas as variedades lingüísticas são legítimas e próprias da história e da cultura humana.

A variação lingüística, porém, não torna a língua melhor ou pior nem mais bonita. Simplesmente aproxima o indivíduo de uma melhor compreensão do mundo e sua relação no meio em que vive.

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REFERÊNCIAS:

http://www.cedu.ufal.br
• LABOV, William. Modelos Sociolingüísticos. Madrid: ediciones Cátedral. 1983. Tradución de José Miguel Herreras
• BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: O que é como se faz. São Paulo: Edição Loyola, 1999.
• BAGNO, M. A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 13ª ed. – São Paulo: Contexto, 1997.
• SANTOS, M. B.; CAVACANTE, M. A da Silva. Contribuição da Teoria da Variação Lingüística ao ensino de Língua Portuguesa. Maceió: EDUFAL: FAPEAL, 2000.
• BRASIL, MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais. Língua Portuguesa. Secretaria da Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

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