REVISTA DA CULTURA

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foto indiaDepois do sucesso do filme Slumdog Millionaire (Quem quer ser um milionário), o nome Vikas Swarup ficou tão conhecido no mundo quanto o de seu conterrâneo e também escritor Salman Rushdie, que agora está lançando The Enchantress of Florence (ainda sem tradução no Brasil). A diferença é que Swarup aparece como romancista que rompe com uma tradição literária maravilhosa, da qual Rushdie é filiado, e segue na linha das tramas de mistério e suspense que se passam no mundo real. Em seu próximo livro, Six Suspects (previsto para novembro no Brasil), o embaixador indiano, hoje lotado em Pretória, na África do Sul, experimenta uma narrativa polifônica.

Qual será sua próxima obra? Acabo de lançar meu segundo título, que saiu no ano passado [agosto de 2008], na Inglaterra, e está sendo traduzido para 15 línguas, incluindo o português brasileiro. A BBC escolheu o livro para ser adaptado ao cinema. Six Suspects (“Seis suspeitos”, em tradução livre) fala sobre seis pessoas que são acusadas de assassinato em uma investigação. A obra é uma tentativa de experimentar uma narrativa polifônica. Então, usando a anatomia de um homicídio como dispositivo de elaboração, tentei criar uma história com seis vozes diferentes: de um burocrata aposentado, uma atriz de Bollywood, um político ambicioso, um ladrão de celulares, um crédulo americano e até de um homem da idade da pedra.

Em Q&A (Sua resposta vale um bilhão), você trabalhou nesta linha da multiculturalidade. De onde veio a inspiração para escrever o livro que deu origem ao filme de maior sucesso do cinema este ano? Eu gostaria de tocar num fenômeno global estabelecido, que é o do programa de perguntas e respostas da TV, mas de uma maneira diferente. Havia lido reportagens sobre crianças das favelas que nunca tiveram contato com jornais, nem frequentaram a escolas, mas que tiveram uma educação mais fácil por meio do uso dos computadores dentro de um projeto chamado Hole in the Wall. Isto me levou a justapor o formato do quiz show à história de um garçom pobre de 18 anos, que vive em uma das maiores favelas da Ásia. Eu queria mostrar que o conhecimento não é privilégio das elites e que até um garoto como aquele pode vencer um programa desse tipo.

Q&A foi publicado em 2005 e, hoje, temos Obama, um representante do Quênia na presidência dos EUA. Você acredita que o sucesso da publicação e do filme seja fruto deste momento em que se clama por mais igualdade? De algum modo, sim. O livro fala sobre a audácia da esperança. O protagonista, Ram Mohamed Thomas, é um sobrevivente, um lutador. Chega a um ponto de sua vida em que quase desiste, quando decide, então, participar do programa de TV. E, até neste momento final, ele escolhe o perdão em detrimento da vingança. Acho que hoje estamos vendo uma incrível tendência à igualdade. Temos a democracia, que é um grande equalizador – todos têm direito a voto –, e a tecnologia, que é um grande nivelador – alguém com menos condições financeiras, mas com acesso à internet, tem tanto conhecimento à sua disposição quanto um homem rico com uma biblioteca de 100 mil títulos. O Oscar conquistado pelo filme baseado no livro também demonstra quão democrática, no fundo, é a Academia.

Quais são os livros que mais influenciaram você? É difícil dizer. Sou um leitor muito eclético. Alguns de meus favoritos são: Dracula, de Bram Stoker; Disgrace, de J. M. Coetzee; Of Mice and Men, de John Steinbeck; The Trial, de Franz Kafka; Ten Little Niggers, de Agatha Christie; e 1984, de George Orwell. ©

FONTE: http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc22/index2.asp?page=literatura

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